domingo, 30 de dezembro de 2012

TL: Moreirense-Benfica, 1-1 (crónica)


Um Benfica pesado procurou a quarta reviravolta consecutiva em Moreira de Cónegos mas a história nem sempre se repete, a fórmula nem sempre resulta. Não fosse um erro tremendo de Anilton, ao cair do pano, e o Moreirense poderia ter vergado os encarnados a um desaire na despedida de 2012.

Cardozo assegurou o empate, mal menor, e deixou a equipa de Jesus em boa posição para seguir em frente na Taça da Liga (1-1).

Ghilas colocou os locais em vantagem, Lima desperdiçou um castigo máximo e nada parecia valer a um Benfica errático, com coração e quatro avançados em campo mas nem um pingo de inspiração. Nos minutos finais, nova grande penalidade, desta vez sem final feliz para Ricardo Andrade.

A Taça da Liga passa também a ser conhecida como o troféu que encurta as férias de natal para os jogadores. A equipa do Benfica mostrou-se particularmente afetada com essa realidade, ela que saiu de Olhão com uma vitória suada, gozou a quadra num instante e apareceu do outro lado do país para defender o troféu conquistado.

Já depois de vencer em Moreira de Cónegos para a Taça da Portugal, o Benfica voltou ao Minho com um onze de respeito, determinado a garantir a passagem às meias-finais da Taça da Liga quanto antes.

Paulo Lopes na baliza, André Almeida no lugar do cansado Maxi Pereira e tudo o mais a anunciar força máxima. Em vão. O Moreirense, que evitara um desaire na primeira jornada (2-2 frente à Académica) apostou igualmente no seu onze mais forte.

Moreirense fiel aos seus princípios

Ao contrário do que acontecera na Taça de Portugal, Jorge Casquilha manteve-se fiel ao seu modelo de jogo na receção ao Benfica e, desta vez (por isso mesmo), colocou os encarnados em sentido.

Durante a primeira parte, o Moreirense aproveitou a falta de pressão dos encarnados para criar lances de perigo. Aliás, garantiu até superioridade nesse parâmetro de jogo, chegando à vantagem no marcador com alguma naturalidade. Pelo menos, com vários pré-avisos.

Ao minuto 14, Ghilas surgiu sem marcação na área mas cabeceou à figura de Paulo Lopes. Já perto do intervalo, isolado por Renatinho, não desperdiçou nova oportunidade e atirou a contar. O Benfica reclamou fora-de-jogo, mas o avançado parece beneficiar da má colocação do lateral André Almeida.

Do lado encarnado, embora a qualidade inquestionável fosse suficiente para inquietar Ricardo Andrade, cheirava a preguiça. A défice de forma física por conta da pausa natalícia. Pouca pressão no meio-campo, ao centro, escassa inspiração de Salvio e Ola John nos flancos.

Seis mil à espera da reviravolta

Claro contraste com o ambiente nas bancadas. Frente à Académica, o Moreirense teve 438 adeptos no estádio. Sim, apenas 438. Desta vez, em clara maioria para os visitantes, houve casa cheia: seis mil pessoas!

Muitas delas esperariam nova reviravolta do Benfica. Afinal, nos últimos três jogos, fora assim. A perder frente a Sporting, Marítimo e Olhanense, a equipa de Jorge Jesus virou sempre os jogos. Três recuperações consecutivas.

Tudo parecia caminhar nessa direção quando, após bom regresso do Moreirense, os encarnados beneficiaram de um castigo máximo (58m). Lima caiu em lance com Ricardo Andrade mas o guarda-redes emendou a mão ao impedir o golo do brasileiro, com uma defesa exemplar.

Lima, que pouco fizera até então, entrou numa espiral de desacerto inquietante. Agora, era ele a simbolizar um Benfica frouxo, perdulário, inconsequente. Jesus mexeu ao minuto 70 sem tirar o brasileiro. Ola John por Rodrigo. Tudo ao ataque.

Reta final de pressão intensa, moreirenses a quebrar em termos físicos, Benfica a carregar pelo centro, terminando com quatro pontas-de-lança em campo! Sim, quatro. E a água mole bastou para furar o muro, na sequência de um erro incompreensível de Anilton. Decidiu agarrar Cardozo na área, sem bola.

Cardozo, capitão em Moreira de Cónegos, agradeceu e voltou a garantir pontos. Desta vez, apenas um empate.

in "http://www.maisfutebol.iol.pt/benfica/moreirense-benfica-taca-da-liga-ghilas-cardozo/1405899-1456.html"