domingo, 6 de janeiro de 2013

Sp. Braga-Moreirense, 1-0 (crónica)


Um palácio de ostentação faraónica e um pequeno T1 nunca foram tão parecidos. O primeiro foi tratado sem brio, ganhou teias de aranha nos cantos, rachas nas paredes e esteve quase a ruir. O segundo, pequeno mas confortável, abriu as janelas e deixou o sol entrar.

O vizinho poderoso chegou a fim a vencer, é certo, mas não se livrou de uma afrontas das grandes: passou quase todo o jogo com o palácio metido dentro do pequeno apartamento.

O Moreirense foi capaz de inverter a lógica reinante, merece todos os aplausos por isso, só que acabou da forma que começou: de bolsos vazios e fome galopante, pese a dignidade e a qualidade dos serviços prestados.

É a velha narrativa do pobre e do rico, do fausto e da miséria. Ganha sempre o mesmo, até sem merecer por aí além. Neste caso, prevaleceu um golo de Éder, no início da segunda parte, quase em jeito de chantagem emocional ao pequeno emblema contíguo. O Moreirense protestou e fez ver as suas razões, tudo para ser corrido para longe no final das conversações.

Os Destaques: Éder redimiu-se a tempo

Já se percebeu que o Sp. Braga, candidato evidente ao pódio da Liga, não teve um dia particularmente brilhante. Principalmente por ter abdicado quase desde o início da intensidade, da persistência, até da qualidade no futebol praticado.

O Moreirense, encolhido à partida, assustou num desvio de Fábio Espinho com o pé esquerdo e começou a crer no impossível. Sem ganhar há longas 11 jornadas, o conjunto de Jorge Casquilha apostou num meio-campo criterioso (Vinícius, Júlio César e Renatinho) e em três homens na frente capazes de incomodar qualquer poder vigente.

Talvez surpreso pela audácia do humilde vizinho minhoto, o Sp. Braga demorou uma eternidade a reagir, até que Éder falhasse escandalosamente uma recarga simples, após remate de Alan e defesa de Ricardo Ribeiro.

Era neste conflito de forças e vontades díspares que o roteiro seguia, quando Ismaily se aborreceu e arrancou um pontapé fenomenal à barra. Éder, ainda envergonhado com o falhanço interior, disse sim à bola e encostou de cabeça para a baliza deserta.

As Notas e o jogo AO MINUTO

Ainda não se sabia, mas a peleja ficava logo ali decidida. O Moreirense chateou, assustou Beto, esperneou, e as bancadas reagiram com assobios e impaciência. Foi o máximo que os últimos da Liga lograram, o que é, em bom rigor, manifestamente pouco para quem urge de provas de vida.

O Sp. Braga continua folgado no palácio senhorial, a sonhar com o paraíso dos dois lugares da frente. O Moreirense vê-se renegado e remetido a um casebre acabrunhado no fundo da rua. Naquele sítio para onde ninguém ousa sequer olhar.

in "http://www.maisfutebol.iol.pt/moreirense/sp-braga-moreirense-liga-cronica/1407280-1466.html"