sábado, 16 de fevereiro de 2013

AUGUSTO INÁCIO: «Os jogadores sabem que podemos sair do último lugar»

Augusto Inácio abordou  a deslocação a Guimarães, onde mora uma equipa que pretende «regressar às vitórias» e que, apesar de todas as dificuldades, se encontra numa «excelente posição» na tabela classificativa. Porém, o treinador do Moreirense FC está apostado em manter o registo vitorioso dos seus dois primeiros jogos, consciente de que os três pontos em discussão poderiam tirar a equipa da cauda da classificação:
«Cada jogo é uma dor de cabeça... uma final. Não há nenhum fácil, em casa ou fora. O Guimarães quer retomar o caminho das vitórias, joga em casa, mas nós também queremos vencer para subir na classificação e sair do último lugar.»
Augusto Inácio espera, pois, um jogo muito disputado, para decidir nos pormenores:
«Ainda por cima é um jogo de rivais, de vizinhos... em que ninguém gosta de perder, nem a feijões. Por isso, antevejo um jogo de pelo na venta, um clima quente, com os jogadores a darem tudo.»
O treinador do Moreirense FC deixa um elogio ao adversário, «uma equipa bem organizada, que apesar de todos os problemas consegue ter uma pontuação excelente», ao mesmo tempo que prepara o seu plano de ataque.
«Estamos num processo de recuperação e queremos continuar assim. Queremos pontuar, Mas se ganharmos, ainda melhor e vamos fazer tudo para ganhar. Se não conseguirmos, pelo menos tentaremos não perder.»
Para tanto conta com a confiança acumulada e com alguns aspectos que estão a ser implementados.
«Foram duas boas vitórias, já melhorámos a finalização e a defesa. Conseguimos não sofrer golos pela primeira vez e os jogadores sabem o que têm que fazer. Os processos começam a ser bem assimilados. Todos sabem que se ganharmos podemos deixar o último lugar já nesta jornada. A mensagem está a ser passada. Quem não estiver atento os 90 minutos perde o jogo... no deslize, no percalço, numa jogada errada. Uma desatenção define o vencedor.»
Para Inácio, a luta contra o tempo, contra os pontos, contra os adversários... obriga «a fazer tudo mais depressa que os outros.»
O jogo com o Benfica de Luanda é revelador: «Já se consegue ganhar por 4-0 e o Ghilas marcar só um golo. O Rafael Lopes, o Kinkela e o Pintassilgo também marcaram. Sinal de que as coisas estão a ser feitas para não nos cingirmos só ao Ghilas, que é um grande jogador, mas não é o salvador. O Moreirense tem que valer pelo seu colectivo, ou desce de divisão... Mesmo que o Ghilas seja o melhor marcador, não tem hipótese. Temos que ser todos.»
 
'O CARNAVAL NÃO ACABA'
Neste capítulo, Augusto Inácio realça a importância de ter um grupo profissional, com os vencimentos em dia e que só precisa de focar-se no futebol.
«Felizmente não há salários em atraso. Não existe o estigma de os jogadores estarem a trabalhar com a cabeça não sei onde por não receberem há três ou quatro meses. Isso não acontece aqui, o que é um descanso para o treinador. É por isso que digo que clubes como o Moreirense - e não interessa se paga muito ou pouco - merecem estar na primeira Liga. Há outros que não pagam hoje, não pagaram no ano passado, nem há dois nem há três anos e continuam a competir na Liga. É imoral esta capa sobre o futebol português. Parece que o Carnaval nunca mais passa, é todos os dias Carnaval. Ou as pessoas querem um futebol limpo, em que as regras são iguais para todos, ou clubes como o Moreirense sujeitam-se a descer de divisão porque não conseguem fazer o que os outros fazem.