domingo, 10 de fevereiro de 2013

Moreirense-Beira Mar, 3-0 (crónica)

Há dez dias, quando assumiu o comando técnico do Moreirense, Augusto Inácio afirmou que o clube precisava de duas vitórias seguidas para se moralizar e ganhar a confiança que permitiria fazer uma boa segunda volta e assegurar a manutenção. Seis pontos seguidos: objetivo ambicioso de um treinador ao pegar numa equipa que apenas tinha vencido um jogo na Liga até então. Inácio encontrou um Moreirense abaixo da linha e água e admitiu mesmo que precisava de «barbatanas e boia para subir à tona».

No Beira Mar, o problema não tem sido (ainda) água, mas sim uma longa travessia do deserto. Oito jogos seguidos (entre Liga e Taça da Liga) sem conquistar uma vitória e a mossa que isso causou na classificação, com uma descida abrupta até ao 14º lugar, e na confiança dos jogadores.

As equipas entraram em campo com noção da importância destes três pontos na luta pela sobrevivência neste escalão mais alto do futebol português e, por isso, cautelosas. No primeiro jogo em casa desde que assumiu o lugar de treinador, Augusto Inácio apresentou uma equipa com apenas duas alterações em relação à que venceu o jogo passado na Choupana. E foi o Moreirense quem assumiu durante quase toda a primeira parte as despesas do ataque.

Num jogo muito jogado a meio campo e com muitas perdas de bola, Wagner e Ghilas ia aproveitando o corredor direito para subir até à área do Beira Mar, mas quase sempre sem perigo. Já os aveirenses quase ainda não tinham chegado junto à baliza de Ricardo Andrade quando Rúben Ribeiro aparece isolado na área só com o guarda-redes pela frente e foi agarrado por Augusto. Muito perto, o árbitro não teve dúvidas em assinalar penalti, mas, na conversão, Rúben Ribeiro bateu muito denunciado e ao lado da baliza.

O Beira Mar desperdiçava assim a oportunidade de se colocar em vantagem e, na resposta, quase sofria golo. Após um centro do lado direito, Anilton a surgir ao segundo poste, sozinho, para cabecear, mas a bola a sair ao lado.

Os aveirenses cresceram um pouco no jogo, quer em posse de bola, quer no âmbito atacante e foram ganhando alguns cantos. Mas foi na sequência de um canto que o Beira Mar acabaria por sofrer o golo, já em cima do intervalo. Toda a defesa da equipa de Ulisses Morais a subir por causa do canto e Filipe Gonçalves a aproveitar para um contra-ataque rapidíssimo que culminou com um centro para Wagner que desperdiçou a oportunidade de marcar com um remate que saiu ligeiramente ao lado. Rui Rego ainda toca na bola, o que deu canto para o Moreirense e na conversão, Aníbal Capela a fazer o golo da equipa da casa mesmo ao cair do pana da primeira parte.

Na segunda parte, Ulisses Morais fez entrar Tozé Marreco para reforçar o ataque, mas foi o Moreirense quem voltou a chegar ao golo. Após um passe em profundidade de Vinícius, Ghilas faz uma arrancada pela esquerda e com um remate frio e preciso fez a bola ultrapassar Rui Rego e entrar na baliza.

Com os adeptos na bancada a acreditarem que voltariam finalmente a ver um vitória para a Liga em casa (a segunda desta época), Ghilas quis arrumar o assunto mais cedo e, aos 81 minutos, após um excelente trabalho de desmarcação, levou a bola e cruzou todo o meio campo do Beira Mar. Com Rui Rego atento à bola, o argelino contornou o guarda-redes, rematou cruzado e fez a bola entrar naquele cantinho que levantou toda a bancada em júbilo. Estava feito!

No final dos 90 minutos na gelada vila de Moreira de Cónegos, era o Moreirense quem conseguia as barbatanas para chegar mais perto da tona de água. Já o Beira Mar continuava a travessia do deserto, desta vez abaixo da linha e água.

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