domingo, 31 de março de 2013

Moreirense-Estoril, 1-1 (crónica)


Milagre da ressurreição tropeça às portas da Páscoa


O milagre da ressurreição tropeçou no último suspiro antes da Páscoa. O Moreirense deixou fugir uma vitória que era deveras importante na luta pela manutenção e permitiu o empate frente ao Estoril, no último lance de um jogo esticado com sete minutos de descontos. Difíceis de perceber, diga-se. 

O que seriam 23 pontos, transformam-se em 21. O Moreirense continua acima da zona de despromoção mas sabe que terá vida muito dura pela frente. Vai enfrentar ainda Benfica, F.C. Porto, Sporting e Sp. Braga nos últimos seis jogos da Liga. Ciclo infernal para encerrar um campeonato feito de trás para a frente e onde ainda é muito cedo para adivinhar final feliz. Tropeções como o de hoje podem deitar tudo a perder.

Já o Estoril, com este empate, cai para fora dos lugares europeus, objetivo assumido recentemente, mas continua completamente envolvido na luta.

FICHA DE JOGO

Ghilas, vestiu cedo a pele de salvador e aproveitou uma das raras ocasiões de perigo que o Moreirense criou na primeira parte para deixar a sua equipa numa posição confortável, que, contudo, teve muitas dificuldades para gerir. O golo surgiu ainda cedo, numa fase de estudo e deixou a equipa da casa com uma posição privilegiada. 

Mas o Estoril mostrou uma boa capacidade de reação. Tomou conta da bola, trocou-a e foi à procura da nesga de espaço que pudesse fazer a diferença. O Moreirense tentou mostrar que o principal pecado da primeira metade da época estava curado e uniu-se lá atrás. Vinicius encostou, praticamente, aos centrais, e a equipa de Inácio não teve problemas em assumir que ia ficar na expectativa. 

O plano correu bem atrás, falhou na frente. Não havia capacidade para sair em contra-ataque, porque só havia um Ghilas e Wagner e Pintassilgo estiveram muito inconsequentes. Estoril por cima, feitas as contas. 

O que faltou então à equipa de Marco Silva? Marcar, naturalmente. Não que tenha desperdiçado em catadupa ou sido esmagadora. Foi melhor até ao descanso e viu Licá atirar ao poste o melhor lance que criou, já em cima do apito para o intervalo. 

DESTAQUES DO JOGO

Os estilos, viu-se em 45 minutos, eram muito diferentes. Moreirense de toca e foge, Estoril de toca e pensa. Jogo mais rendilhado e calculado o dos visitantes. Mas menos eficaz. 

Mesmo que a toada se tenha mantido para a segunda parte, os resultados também não mudaram. O Moreirense não dava espaço, o Estoril rodava, rodava e não o conseguia criar. A vontade de continuar no bom trilho foi decisiva para os homens de Augusto Inácio, que fizeram da entrega virtude maior onde parecia assentar a conquista. 

Depois vieram os nervos e com eles foram dois pontos. Vasco Santos deu sete minutos de descontos num jogo que nada teve para merecer esse número. No último lance, Ricardo Andrade falhou a interceção a um livre e Tony Taylor fez o empate castigador. Sabor a derrota nos Cónegos, a vitória para o Estoril. E ainda faltam seis finais.