segunda-feira, 11 de março de 2013

Moreirense vs Olhanense - Análise


Mais uma oportunidade desperdiçada, provavelmente a mais importante delas todas, de novo muito erros e muito jogo na expectativa, o resultado é justíssimo e acaba até por pecar por curto para o Olhanense. Falando da primeira-parte, o jogo estava repartido, equilibrado, muito jogo físico e pouco discernimento. Ambas as equipas entraram com uma pressão muito alta visto que era um dos jogos mais importantes da época. Mas o grande problema é o nosso meio campo, sempre muito despovoado, desapoiado e com muito espaço para o adversário jogar. A linha média muito junta à linha defensiva, e a ofensiva muito distante das outras duas. Isso leva a um constante desapoio entre sectores e torna-se muito difícil ligar jogo com a bola no chão. A “solução” é ligar os sectores com jogo directo, bolas bombeadas à procura da velocidade dos extremos e de Ghilas, o desaparecido. A jogar em casa a equipa não criava oportunidades de golo e entregava o controlo do jogo ao adversário, os de Olhão tinham tempo para pensar e organizar o seu jogo, e foram sempre mais perigosos que o Moreirense. Com o golo, de penalty caído do céu, a equipa melhorou e criou mais perigo, mas sempre com muito desacerto e com o último passe a sair quase sempre mal, faltava um número 10. O Olhanense jogava mais com a bola no chão, com Lucas a ser o motor, todo o jogo passava por ele, serviu sempre muito bem os colegas, e o veterano Rui Duarte sempre a desequilibrar a defesa com a sua condução de bola e poder de ziguezague. Ao intervalo o resultado até justo, o Moreirense marcou, mandou uma bola ao poste e teve mais uma grande oportunidade, com um remate de longa distancia do Filipe Gonçalves, o Olhanense teve um remate perigoso que permitiu uma grande defesa a Ricardo Andrade.

A segunda-parte foi igual a todas as outras, incrível como ainda não aprendemos a lição! Mais uma vez a equipa entrou muito mal, muito receosa, muito recuada, muito pouco ambiciosa e com muita pouca garra. Estivemos a segunda-parte inteira a espera do adversário na nossa área, demos sempre a domínio do jogo, linhas muito recuadas e mal tínhamos a posse de bola despachava-mos logo a bola para a frente, resultado dava-mos de novo a bola ao adversário. O meio campo continuava muito despovoado, sempre em desvantagem numérica para o adversário, eles tinham tempo e espaço para pensar, e tinham bons executantes como Rui Duarte e Lucas. Quando se pedia uma nova unidade no meio-campo e alguém que transporta-se a bola para a frente, o treinador mexe nas alas, e colocou em jogo um pensador de jogo e um desequilibrador, o problema é que para desequilibrar a bola era preciso a bola chegar ao destino mas isso não aconteceu, porque a equipa não punha a bola no chão. Melhorou um bocado com a entrada de Fábio Espinho, mas ele não pode fazer milagres devido ao tempo de paragem que teve. Era preciso mais músculo e poder de corte no meio campo, Tales estava no banco e de lá não saiu, mas continuávamos apenas com Vinicius e Filipe Gonçalves apenas eles dois eram impotentes perante tal número de jogadores adversários na mesma zona do terreno. Não conseguíamos ter a posse de bola por mais de um minuto, e quando o fazíamos era tudo muito à queima e feito à pressa, não houve classe para mais. O tempo passava e o Olhanense ia carregando, como somos muito crentes pensamos que eles não marcariam, mesmo depois de tudo o que já passamos no passado, o médio continuava no banco sem entrar e os adeptos continuavam a sofrer. O treinador finalmente resolveu mexer na equipa, nos descontos, colocou em campo um central, mais um para a confusão e para aliviar a bola, isso não era significado de defender melhor, bem pelo contrário, como se veio a suceder. Mais um lance anedótico, inacreditável, impensável e de deitar as mãos à cabeça, ditou o golo sofrido e dois pontos a voar. Tudo bem que o lance é ilegal, o jogador domina a bola com a mão, mas não nos podemos nunca queixar disso. Esta derrota, isto significa uma derrota, é por culpa própria e nada mais que isso. Muitos erros, muita desconcentração, pouca ambição e decisões técnicas contestáveis deitaram por terra 70% das nossas esperanças para a manutenção. Agora será muito difícil, não digo impossível, porque não há impossíveis, olhando a que temos de jogar com Porto, Benfica, Sporting e Braga equipas de níveis completamente desiguais. Mais dois jogos com equipas que estão tranquilas na tabela Rio Ave e Estoril, ainda têm possibilidade de chegar à Europa e duas equipas do nosso campeonato Setúbal e Académica. O cenário é negro, não se antevê nada fácil, com esta atitude não temos qualquer hipótese, mas como somos Moreirense e se a atitude der uma volta de 180º graus é possível, mas é precisar lutar muito, porque o jogo só acaba quando o árbitro apitar para o fim do jogo.