domingo, 21 de abril de 2013

Moreirense vs FC Porto - Análise


Este era o jogo em que tudo o que viesse a mais que uma derrota já seria muito bom. O Porto apresentava-se em Moreira pressionadíssimo porque até um empate os deixava fora da rota do título. O Moreirense foi tentando jogar contra a ansiedade portista, apresentou-se em campo muito sólido e compacto, com o meio campo muito povoado e as linhas baixas, tentando aproveitar um passe errado ou uma perda de bola para lançar o contra-ataque. Com um Fábio Espinho inspirado, nos instantes iniciais, o Moreirense quando jogava a bola pelo chão conseguia criar perigo, foi isso que aconteceu nos primeiros 20/25 minutos, a equipa da casa estava forte nas transições e criou algum perigo, muito graças a criatividade do número 10 e à velocidade de Ghilas, que meteu a cabeça em água principalmente de Mangala. O Porto foi crescendo, foi ganhando confiança e foi ganhando o meio-campo, com o silencioso Moutinho e Lucho a criarem muitos desequilíbrios. Desde a ascensão dos portistas o Moreirense ia apostando mais no jogo directo, mas sem sucesso. As melhores oportunidades até pertenceram ao Moreirense, pelos pés do Fábio Espinho e Ghilas, o primeiro, isolado atirou contra Helton, o segundo ganhou em velocidade a Mangala e por muito pouco não bateu o guarda-redes portista. Como quem não marca sofre, uma falha da defesa foi suficiente para o Porto inaugurar o marcador, uma falha de marcação a Jackson Martinez permitiu que ele inaugurasse o marcador. Quando se tem um jogador pela frente com a qualidade técnica de Jackson Martinez, não se pode dar um milímetro de espaço, porque ao mínimo espaço ele marca. Depois desse golo os homens da casa ainda tiveram uma oportunidade soberana para marcar, a tal de Fábio Espinho que naquela posição devia ter feito golo. Até ao intervalo o Porto ainda criou mais uma jogada de muito perigo com um remate de longe de Moutinho ao qual Ricardo Ribeiro respondeu com uma boa defesa.

Na segunda-parte aconteceu um filme já repetido várias vezes, a equipa entrou mal, desconcentrada, o Porto marcou mais dois, podia ter marcado ainda mais, é preciso reflectir para que é o intervalo serve, se é para refrescar e para redefinir estratégias ou se é para os jogadores relaxarem e entrarem desconcentrados. A defesa esteve intranquila, na frente a equipa esteve descoordenada e desinspirada, e o Porto aproveitou para controlar o jogo bem como o seu treinador gosta com posse de bola e não cedendo oportunidades ao adversário. Para piorar as coisas o treinador ainda foi obrigado a fazer duas alterações forçadas graças as lesões de Ricardo Pessoa e de Anilton, ou seja mesmo que quisesse mexer no sector ofensivo foi impossibilitado graças a essas alterações forçadas. Sentiu-se a falta do homem que transportava a bola a defesa para o ataque, Filipe Gonçalves que cumpria castigo, não pôde dar o seu contributo e fez falta no meio-campo, Renatinho sempre muito combativo e na raça fez um bom jogo, mas para já não tem a classe e simplicidade do capitão. A melhor oportunidade do Moreirense na segunda-parte apareceu já na parte final, com Ghilas mais uma vez isolado não conseguiu bater Helton, que esteve sempre muito seguro. Com um remate muito forte, mas que podia ter sido melhor colocado, permitiu uma grande defesa ao guardião brasileiro.

Derrota justa do Moreirense, que agora tem de mesmo de ganhar no terreno da Académica, adversário directo, que está tão aflito como nós, as duas equipas vão jogar mais com o coração do que com a cabeça. Espera-se um jogo muito competitivo e emotivo, com resultado imprevisível. Quem poder que não falte a esse jogo, é o jogo mais importante da época até ao momento.