segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Moreirense–P. Ferreira, 2-0 (crónica)

Teia moreirense apanhou um castor



Apenas FC Porto e Benfica tinham vencido o Paços de Ferreira na presente edição da Liga, mas o Moreirense reconheceu o valor do seu adversário e juntou-se a este leque, com uma estratégia arriscada mas funcional. Montou uma teia, encarcerou o jogo dos «castores» e aproveitou as bolas recuperadas cirurgicamente para marcar. André Simões e Battaglia apontaram os golos do triunfo.

FILME DO JOGO

A equipa vimaranense pôs fim a uma série de nove jornadas sem perder do Paços, regressando assim aos triunfos depois de três jogos a perder.
 
Apesar da derrota no D. Afonso Henriques, Miguel Leal não fez qualquer alteração na sua equipa e apresentou exatamente o mesmo onze da última jornada. Já Paulo Fonseca operou apenas uma alteração no seu conjunto, fazendo alinhar Nelson Pedroso no lado esquerdo da defesa, por troca com o lesionado Hélder Lopes.
 
O técnico do Paços seria obrigado a mexer na sua equipa ainda na primeira parte, uma vez que Rafael Amorin teve que deixar as quatro linhas por lesão. Ricardo Ferreira saltou do banco de suplentes para fazer parelha de centrais com Ricardo.
 
Cónegos em vantagem no último suspiro
 
Do eixo da defesa os dois Ricardos viam os colegas dos setores mais ofensivos pouparem-lhes trabalho. O Paços entrou melhor em Moreira de Cónegos, estendeu o seu jogo a todo o campo, trocou a bola com a qualidade habitual e começou por baralhar as marcações do Moreirense.
 
A mobilidade de Urreta, Minhoca e Hurtado trocaram as voltas aos homens de Miguel Leal, mas a verdade é que o domínio territorial não se ia traduzindo em lances de verdadeiro perigo. Nada que Marafona não conseguisse resolver.
 
Depois de passar dificuldades, a equipa do Moreirense lá acertou as agulhas e com cortes cirúrgicos ao jogo rendilhado do Paços, Filipe Melo, André Simões e Vítor Gomes iam conseguindo contragolpes venenosos. Sem querer muito com o jogo, de forma dissimulada, o Moreirense deu a bola ao Paços para depois a recuperar em zona de perigo.
 
Esta estratégia deu frutos no último suspiro do primeiro tempo, ao segundo minuto de compensação, quando Arsénio apenas foi travado em falta pelo guarda-redes Rafael Defendi no interior da área. O lance nasce de uma das tais recuperações de bola. Foi Sérgio Oliveira a cair na teia do Moreirense. Da marca dos onze metros, André Simões não desperdiçou, enviou a bola para o fundo das redes e o Moreirense para o intervalo em vantagem.  
 
Mais Paços, mas sem perigo
 
Castigo demasiado pesado para o Paços, prémio para a estratégia arquitetada por Miguel Leal e pelos seus pupilos. Construía-se um cenário para testar a capacidade de reação do conjunto de Paulo Fonseca e ao mesmo tempo compunha-se o conforto em que o Moreirense se sente bem.
 
Expectante e a jogar no erro do adversário, o Moreirense viu o Paços a definir melhor as jogadas e a apresentar mais critério no segundo tempo, gorando-se assim a intenção de manter a toada do primeiro tempo.
 
Resultado: domínio quase que exclusivo do Paços, os homens de Paulo Fonseca instalaram-se no meio campo dos «cónegos» correndo atrás do resultado. Carregavam os «castores», mas à semelhança do que aconteceu na primeira metade, sem criar grandes lances perigo.
 
O Paços não atava nem desatava e Miguel Leal tirou a chave do triunfo do banco de suplentes. Battaglia entrou em campo para resolver, apontando o seu primeiro golo com a camisola do Moreirense. Uma vez mais com Arsénio na jogada a servir o médio argentino, o Moreirense carimbou um triunfo pleno de oportunidade e de matreirice num dos poucos lances ofensivos que teve na segunda parte.
 
Os «cónegos» montaram uma teia e bloquearam a ação dos pacenses. Deu mais amarelo em Moreira de Cónegos, o Paços teve mais bola e dominou o encontro, mas o Moreirense nem se importa que assim seja. Aliás, até gosta deste tipo de jogos. Com maior ou menor brilhantismo, fez o que apenas Porto e Benfica haviam feito no campeonato: roubou os três pontos ao Paços.

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