quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Moreirense-Benfica, 1-6 (crónica)


Estatuto intacto. O Benfica segue firme na Taça da Liga, é o único dos grandes na prova depois de golear em Moreira de Cónegos (1-6). O início do encontro foi frenético com a história do jogo a escrever-se praticamente em meia hora. Cinco golos, quatro para os encarnados, desnivelando muito cedo as contas do apuramento para as meias-finais. 
  
Num encontro de voadores, atendendo ao hino do Moreirense, foi inegavelmente mais eficaz o bater de asas das águias, quando mais não seja porque teve uma entrada verdadeiramente arrebatadora, mas também porque teve Gaitán e Talisca a brindar um estádio pintado de vermelho com acrobacias daquelas que valem o preço dos bilhetes. Hat-trick de Talisca, Gaitán bisou. 
  
Com jogadores menos utilizados de ambos os lados, o Moreirense estreou mesmo um júnior a titular – Ricardo Almeida -, Miguel Leal escalonou uma equipa em que apenas Iuri Medeiros manteve a titularidade do último jogo do campeonato. Do lado encarnado, Rui Vitória repetiu Jardel, Samaris e Renato Sanches num onze em que Gaitán foi a grande novidade. Não era titular há praticamente um mês. 
  
Três em oito minutos com assinatura de Gaitán 
  
O tal voo da águia teve início logo aos doze minutos com Gonçalo Guedes a atirar os encarnados à pista. Num lance dividido com Patrick o extremo cavou uma grande penalidade aproveitando-se da imprudência do canhoto do Moreirense para dar a Talisca a oportunidade de abrir o ativo. Muitos protestos do Moreirense à mistura, Miguel Leal quase perdeu a compostura. 
  
Jiménez queria marcar, Rui Vitória berrou do banco que era Talisca a bater, Nilson ainda adivinhou o lado, mas estava dado o clique para uma noite de golos em Moreira de Cónegos. Em seis minutos os lisboetas fizeram três! 
  
Apenas dois minutos depois, aos 14, Gaitán resolveu dotar um jogo de Taça da Liga com um pouco de magia. O argentino serviu Talisca que, apesar de pouco em jogo no primeiro tempo, numa espécie de penálti de bola corrida atirou para o fundo das redes. 
  
Depois da assistência o golo de Nico. Golo na medida em que o argentino fez a bola ultrapassar a linha de golo, um momento do outro mundo para aqueles que apreciam o jogo da bola. Se ainda não viu, contemple tal obra de arte! 

Dois defesas ficaram para trás na cruzada de Gaitán da esquerda para o centro, já em zona frontal à baliza o argentino atirou ao tapete o guarda-redes Nilson e mais um defesa com a mesma simulação, atirando depois calmamente para o terceiro do jogo. 3-0 em vinte minutos, pragmatismo e eficácia do Benfica a manter a veia goleadora que tem sido característica. 
  
Chapéu de Jiménez à resposta de Iuri Medeiros 
  
O Moreirense ainda respondeu. Iuri Medeiros tentou imitar Gaitán e também numa jogada individual, ainda que menos vistosa, o extremo cedido pelo Sporting driblou Ederson antes de reduzir a desvantagem. Golo de belo efeito, não há como negar, que fica submisso a um papel secundário em relação ao golo de Nico. (Vale mesmo a pena ver!) 
  
Raúl Jiménez saiu amuado do primeiro golo do Benfica, festejou quase forçado a grande penalidade de Talisca. Queria ter sido ele a faturar, fê-lo à meia hora. Um golo de se lhe tirar o chapéu. João Sousa deu a bola ao mexicano num erro evitável, Nilson saiu dos postes e Raúl enviou a bola por cima do guarda-redes. Chapéu com as medidas certas de Jiménez. 
  
Respire fundo! Trata-se apenas da crónica da primeira hora. Cinco golos em trinta minutos que praticamente resumem a história do jogo. 
  
Tempo para estreias, regressos, mais Talisca e mais Gaitán 
  
Na restante hora que ainda havia para jogar o Benfica geriu  o jogo, colecionou mais um par de oportunidades para marcar perante o esforço inglório do Moreirense, que foi impotente para dar mais réplica. Pelo meio Rui Vitória estreou o espanhol Alex Grimaldo com a camisola do Benfica. 
  
Na equipa do Moreirense André Marques regressou aos relvados um ano depois da sua última aparição, deixando para trás um calvário de lesões. Cardozo voltou a jogar quatro meses depois de se ter lesionado com o FC Porto. Destaque apenas para duas bolas enviadas ao travessão de cada uma das balizas. Gaitán atirou à barra instantes antes do intervalo, Iuri Medeiros fez o mesmo no segundo tempo num livre direto. 
  
Das bancadas gritava-se pelos nomes de Eusébio e de Miklos Fehér. O quadro teve um dos últimos traços com terceiro de Talisca. Se ainda não viu o tal golo de Gaitán veja também o terceiro de Talisca, aos 82 minutos. Remate em arco, do lado direito. Arco do triunfo a levantar o estádio. A um minuto dos noventa o quadro ficou definitivamente pintado com o segundo de Gaitán a passe de Gonçalo Guedes. 
  
O Benfica carimba pela sétima época consecutiva o passagem às meias-finais da Taça da Liga. Assiste de poltrona o desenrolar do jogo entre o Rio Ave e o Sp. Braga desta quarta-feira, de onde sairá o próximo adversário dos encarnados. 

Domingo há mais. Moreirense e Benfica têm novo embate neste mesmo estádio em jogo a contar para a Liga.