sábado, 17 de dezembro de 2016

Moreirense-Arouca, 1-4 (crónica)


Recuperação do Arouca encetada em Moreira de Cónegos com o regresso aos triunfos (1-4) depois do percalço na última jornada na receção ao Rio Ave. O conjunto de Lito Vidigal venceu com golos de Mateus e Jorginho, este último a assinar um hat-trick, numa exibição sólida e, essencialmente, eficaz.

Três remates, três golos, 100 por cento de eficácia dos arouquenses no Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas na fase crucial do jogo, que deram uma lição de pragmatismo a um Moreirense que parece estar a perder o gás do efeito da chicotada que trouxe Augusto Inácio para o banco de suplentes.

A exibição dos Cónegos não foi tão pálida como os traços gerais deixam transparecer, mas fez lembrar erros do passado com o acumular de decisões precipitadas e erros desnecessários a comprometer o resultado final. Inácio referiu antes do encontro que não queria sofrer «golos estúpidos», foi precisamente dessa forma que os Cónegos encaixaram o quarto golo, com Makaridze a deixar que a bola entrasse diretamente num pontapé de canto.

Gentileza e eficácia contra a displicência

O arranque do encontro foi frenético e prometedor. Boateng esteve na cara de Bracali, mas completamente isolado não conseguiu adiantar o Moreirense no marcador logo nos instantes iniciais. Na resposta, o Arouca chegou ao golo com processos muito simples. Mateus ganhou a Sagna na direita e cruzou par ao coração da área, onde apareceu Jorginho Íntima a rematar com frieza para o fundo das redes.

Ao golo encaixado muito cedo, o Moreirense respondeu com muito coração. Passou a dominar territorialmente, traçou vários cruzamentos em diversas incursões ofensivas, mas quase sempre ações desperdiçados por culpa própria pelos pupilos de Augusto Inácio. Que o diga Boateng, que aos doze minutos esteve novamente frente a frente com Bracali, Rebocho fez o passe com as medidas certas, mas o ganês falhou escandalosamente, atirando ao lado.

Perante tal displicência, sem grandes correrias o Arouca fez mossa de cada vez que conseguiu subir ao último reduto do adversário e ao segundo remate fez o segundo golo com Jorginho Íntima a retribuir a gentileza, ganhando a André Micael para depois dar a marcar a Mateus. O atacante angolano limitou-se a encostar, com eficácia a 100 por cento.

Réstia de esperança ténue

O técnico do Moreirense não gostava do que via e, ainda antes do intervalo trocou, Dramé por Ramirez na ânsia de acrescentar mais poder de fogo a uma área em que sobravam bolas perdidas. Não deu resultado diretamente a substituição, mas o Moreirense entrou praticamente a marcar na segunda parte com uma cabeçada de Boateng, que já estava a dever dois remates às redes.

Esperança renascida, mas por pouco tempo. Jorginho, a noite começava a desenhar-se como sua, disferiu um forte remate quatro minutos depois com um golo de levantar o estádio e que merecia ser visto por mais do que 837 espectadores. Já na reta final, com o encontro resolvido, Jorginho fez o terceiro da sua conta pessoal, de canto direto, a contar com Makaridze a fazer-se à bola de forma deficitária.

O Moreirense tinha o Arouca ao alcance na tabela classificativa, mas foi o Arouca a turma arouquense a encarar o jogo com maior afinco. Comprometido, o Arouca seguiu o plano traçado, não deslumbrou, mas teve eficácia suficiente para conseguir uma vantagem de três olhos, saltando à condição para o oitavo lugar. Os Cónegos ficam à mercê do que a jornada ditar, podendo voltar aos lugares de despromoção.