quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

TL: Moreirense-FC Porto, 1-0 (crónica)


45 minutos de horror atiraram o FC Porto para fora da Taça da Liga. Resta aos dragões a luta pelo campeonato e pela Liga dos Campeões, após uma noite de polémicas, muitas polémicas, e de história para os cónegos: nunca tinham vencido os azuis e brancos e nunca tinham estado na meia-final de um troféu nacional.

Horror, dizíamos nós. Pois sim, horror. Que outra expressão pode definir a etapa complementar da equipa de Nuno Espírito Santo? Ainda por cima depois de um primeiro tempo francamente bom.

Ora, anotem por favor: o golo do Moreirense – excelente arrancada de Rebocho e finalização ainda melhor de Chico Geraldes – aparece logo a abrir; Danilo e Brahimi viram o cartão vermelho (ambos por acumulação) e não acabaram o jogo; Herrera, Depoitre, Telles e todos os outros acabaram o jogo de cabeça perdida, revoltados com a arbitragem de Luís Godinho, um árbitro que veio do Alentejo para arruinar um bom jogo de futebol.

O MOREIRENSE-FC PORTO AO MINUTO

Quem lê o Maisfutebol e acompanha as nossas crónicas sabe que fugimos ao máximo o comentário à arbitragem. Neste caso, porém, as nossas nobres e genuínas intenções abrem o parêntesis. Somos forçados a isso.

Além de uma grande penalidade claríssima por assinalar na primeira parte sobre André André (o agarrão de Rebocho no braço é tão evidente…) e de um atraso não sancionado de um defesa a Makaridze, a expulsão de Danilo é um lance que entra para o anedotário do futebol português.

E ficamos por aqui.

É certo que o FC Porto desbaratou oportunidades atrás de oportunidades até ao intervalo – contámos quatro, com a de Laurent Depoitre (desvio ao poste em esforço) a ser a mais escandalosa – e que o Moreirense cumpriu o plano de Augusto Inácio na perfeição, mas a arbitragem teve clara influência no desfecho da partida.

O FC Porto fez quase tudo bem no primeiro tempo. Alegria nas movimentações, ritmo alto, excelente reação à perda de bola, serenidade na aproximação à área cónega e… tanta, tanta ansiedade na hora de rematar.

Neste particular, o dragão tem o instinto predador de um antílope… não poupemos nas palavras: uma equipa com ambição em ser campeã nacional e em ganhar troféus não pode falhar tantos golos e tantas vezes de forma tão primária.

Muito bem Óliver, ótimo Brahimi, pouco ou nada a apontar aos restantes. O Moreirense, coriáceo no processo defensivo, apareceu num bom pontapé de Neto. E ficou-se por aí.

O melhor para os axadrezados veio depois do descanso. O golo de Francisco Geraldes, um excelente executante, virou a lógica do duelo ao contrário, obrigou NES a arriscar – Diogo Jota e Corona entraram para os lugares de Boly e André, a equipa passou a ter três defesas – e daí em diante o coração teve muita vontade e pouca lucidez.

Apareceu a precipitação, o desgaste, a revolta com as decisões do senhor árbitro. A beleza do futebol fugiu para outras paragens. Feio, hediondo, o período final da partida. Menos para o Moreirense, claro, que nenhuma culpa tem da incompetência alheia.

O clube minhoto fez história e está nas meias finais da Taça da Liga.