segunda-feira, 13 de março de 2017

Rio Ave-Moreirense, 3-2 (crónica)


Nem tudo o vento levou. A corrente de ar destapou as virtudes dos «Castro boys» e o Rio Ave subiu ao sétimo posto da Liga. Lugar com vista privilegiada para a UEFA e para um tour que pode levar este bom futebol a outras latitudes.

Vitória apertada sobre um brioso Moreirense, sim, e pautada por instantes de riqueza criativa raras vezes vista nos nossos campos. Tudo isto sem duas das estrelas da companhia: Rúben Ribeiro lesionado e Gonçalo Paciência no banco a recuperar de moléstias musculares.

A bomba de Gil Dias ao ângulo superior direito da baliza cónega afugentou um início rupestre, apesar de o Rio Ave estar a favor do potente vento, e o acaso que foi o golo do empate – centro de Alex desviado em Nélson Monte – levantou dúvidas maiores, mas o Rio Ave a tudo sobreviveu em dia de homenagem às mulheres das vidas dos seus atletas.

Estes rapazes de Castro, aliás, parecem gostar da pressão do palco e de um público difícil. Antes do Moreirense empatar podiam já ter o jogo resolvido (Guedes, Roderick e um penálti por assinalar sobre Gil Dias) e com 3-1 no marcador (Rafa de livre e Guedes na melhor jogada da partida) tudo apontava para gestão e descanso até ao fim.

Augusto Inácio é que não estava para assistir de braços cruzados ao show. Lançou Roberto e Sougou, vendo o primeiro a reduzir num tremendo golpe de cabeça e a empatar quase de seguida, não fosse a ação de Petrovic.

Por esses minutos, o Rio Ave já não parecia uma estrela brilhante, senhora de mediatismo imaculado, mas sim um figurante empenhado em não perder o pouco que pode arrecadar nestas aparições públicas.

Luís Castro guardou as substituições para muito tarde (Pedro Moreira e o estreante Adama Traoré, ex-Mónaco), mas acabou por ganhar a aposta e manter um apertado 3-2, insinuado pela teimosa ventania vila-condense e nem sempre bem gerido por quem jogava a seu favor.

O que resulta daqui é muito simples. A jogar com esta qualidade e fiel a um plano de jogo interessantíssimo, o Rio Ave tem armas para atacar os lugares acima – Marítimo a dois pontos e V. Guimarães a cinco para já -, enquanto o Moreirense precisa repensar alguns momentos.

Os cónegos, brilhantes vencedores da Taça da Liga, têm apenas quatro pontos de vantagem sobre a linha de água, mas, aparentemente, armas bem superiores a Nacional e Tondela.

Nem tudo o vento levou.

in "http://www.maisfutebol.iol.pt/liga/12-03-2017/rio-ave-moreirense-3-2-cronica-148934868"